Segunda-feira, Março 01, 2004
VI MUITOS FILMES E ESCREVI QUASE NADA. O CARNAVAL FOI BEM, OBRIGADA.
ADEUS, LÊNIN (Wolfganger Becker)
Muito melhor que Invasões Bárbaras (vencedor do Oscar de filme estrangeiro), me lembrou A Vida é Bela, sem a cena apelativa da bandeira americana. Um filme que me fez rir e chorar quase que simultaneamente e me fez sair do cinema satisfeita, como há muito tempo eu não saía. Uma pena eu ter pulado direto para a sessão de Dogville, que estragou todo o meu momento de reflexão e amor ao cinema.
DOGVILLE (Lars Von Trier)
Muito tempo que eu não saía do cinema no meio de um filme. Sou extremamente contra esta atitude, mas cansei da pretensão de Lars Von Trier e de seu objetivo principal, que é fazer as pessoas sofrerem durante uma sessão de cinema. Sou contra muitas tentativas de alienação hollywoodianas por intermédio de filmes, mas definitivamente não perco o meu sábado para sofrer numa sala escura e este sofrimento não é válido, mesmo se o final for surpreendente. Trilogia sobre os Estados Unidos? Agora preciso concordar com o crítico que disse "Pretensão devia pagar imposto". E nem venham cinéfilos cult, que engolem qualquer porcaria para se sentir inteligentes, me dizer que Lars Von Trier é um gênio. Pode até ser, mas nem por isso é bom cineasta e nem por isso eu concordo com sua visão de cinema. Ponto, caixão e vela.
AMARELO MANGA (Cláudio Assis)
O pudor é a forma mais inteligente de perversão
Filmaço! Nossa, como me arrependi de não ter assistido antes! Vi no meio no carnaval, antes do Fla x Flu, e vi de novo, depois do jogo e de uma caixa de cerveja. Confirmado: bom demais! Fotografia e direção de arte nota 10, para cada detalhe pensado nos tons de amarelo e cada posição de câmera inusitada. Excelente a atriz Leona Cavalli e a sua cena de nudez frontal no botequim. E que classe! Foi melhor do que o gol do Flamengo! Aliás o gol do flamengo foi ridículo, aquela bola entrando no gol em câmera lenta e ninguém do Fluminense pelas redondezas... o jogo de tão patético acabou emocionante, e olha que eu DETESTO futebol! Mas recomendo Amarelo Manga, um dos melhores filmes da retomada que mais parece um documentário do que uma ficção, com enfoques em tipos muito reais.
PEIXE GRANDE (Tim Burton)
Sim, as histórias são maravilhosas, mas ninguém merece ter uma piada explicada no final, não é mesmo? A cena final foi tão bem feita, os personagens surgindo no cemitério, confirmando as histórias do defunto, que não mentia, apenas aumentava para dar mais emoção... ora bolas, atire a primeira pedra quem nunca o fez! Mas a narração final magoa a minha inteligência e a inteligência das crianças. E que crianças! No cinema (Itaipu Multicenter, NÃO ACONSELHO!!!) havia uns 20 adolescentes zoneando a sessão. Ok, eu já tive 14 anos, mas o máximo que eu fazia era jogar pipoca na cabeça de um ou outro enquanto o filme não me prendia. Peixe Grande não prendeu aqueles monstrinhos, que fizeram uma roda na sala e bateram papo durante o filme inteiro como se estivessem na praça de alimentação. Sem falar dos gritos, dos celulares, foi um inferno! Eu jurei que quando saísse da sala daria um cascudo na cabeça de um, mas fiquei para os créditos, que por sinal foram cortados pela metade. Conclusão: Não volto mais no Itaipu Multicenter e estou devendo um cascudo a um fedelho de 14 anos.
21 GRAMAS (Alejandro González-Iñárritu)
Fico muito puta da vida quando alguém elogia a montagem de um filme só porque ele possui uma narrativa não-linear. No caso de Cidade de Deus deu super certo, mas em 21 gramas a narrativa fragmentada só serviu para disfarçar um roteiro medíocre. Portanto a sinopse é mais interessante que o roteiro em si e o trailer dá de 10 no filme. E quer saber? Isso não é um melodrama! Melodrama dos bons são aqueles filmes enormes baseados em romances do Charles Dickens! Isso aqui é uma porcaria disfarçada com uma montagem bem feita e muderna. Estorinhas de mulher que se apaixona por homem que carrega coração de marido morto e de homem que pronuncia a frase infame "eu tenho um bom coração", ah... estorinhas por estorinhas fico com as novelas da Gloria Perez, assim sai mais barato e ainda tenho a liberdade de mudar de canal quando sinto a minha inteligência ameaçada.
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Um ano de blog! Êeeeee! Aproveitei bem este ano, conheci muita gente legal, aprendi um pouco de html, vou criar um blog de crônicas e vou ganhar bufunfa para escrever num blog de um grupo de choro que eu adoro! Mais novidades em breve e obrigada a todos pela presença, pelo carinho e pelas críticas. Gostaria de agradecer à academia... BLAAAAAAAAAHHHHHHHHHHRRRRRRRRRGGGGGGG!!!
Beijão para todos e até a próxima.
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Ainda bem que a maioria dos leitores concordam comigo sobre o talento de Maria Rita, mas 31% dizer que ela é uma farsa, um produto de marketing foi demais para o meu pobre coração... tudo bem que eu que criei a frase, mas... gostaria de saber o porquê de quem marcou este item, por favor, respondam nos comentários.
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Não sei se mandei email para todos, mas gostaria de convidar vocês a visitar o meu novo blog. Não vou abandonar o Fulerus Filmes não hein... apenas criei um cantinho mais íntimo para escrever sobre outras coisas além de cinema. É isso. Caixão e vela.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 7:00 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
ENCONTROS E DESENCONTROS
(Lost in Translation, 105min, dir. Sofia Coppola)
Coisa muito boa é sair do cinema e tomar um chopinho, discutir o filme, a vida, a política,o mercado, o machismo. Coisa boa brisa de verão, chopinho gelado e voz alterada cheia de razão. Normalmente eu sempre estou certa. Tomando chopinho eu sou a voz da verdade e olhares atravessados da mesa ao lado não me intimidam nem um pouco. Um tio uma vez me ensinou que a melhor coisa do mundo é tomar conhaque com uma fina fatia de limão falando mal do governo. Mas ele mora em Taubaté e Rio de Janeiro pede chopinho mesmo.
Faço questão até de dedicar um parágrafo inteiro para o chopp "Na Pressão" que tomei no Dowtown esta quinta-feira. Barato (para o padrão), custando 2,50 uma caneca razoavelmente grande e gelado, muito gelado. Parece que eles colocam a caneca no congelador com um pouco de água e, ao encher de chopp, somos surpreendidos por pedacinhos de gelo e uma temperatura quase
impossível de se encontrar nas melhores choperias da cidade.
Enfim, coisa boa sair do cinema e tomar um chopinho... mas desta vez foi o inverso. Coisa de paulista talvez, sair de casa horas mais cedo para garantir lugar, ingresso essas coisas. Mas a família vai bem, quanta saudade da prima, do tio, está tudo beleza, vamos lá. No final das contas a decisão por um filme "cult" (será?) numa sala comercial do Downtown não nos fez perceber uma questão óbvia: o cinema estava vazio. Mais tempo ainda para as deliciosas canecas de chopp ultra-gelado. E quem sou eu para reclamar!?
O resultado, claro, foi aquela vontade de fazer xixi no meio da sessão, aumentada ainda mais pelo frio da sala vazia. Portanto Sofia, cinéfilos e fuleros de plantão me desculpem, mas eu preciso assistir ao filme de novo. Porque eu não posso afirmar com toda certeza se eu estava completamente Lost in Translation na Barra ou se a película de miss Coppola não me causou
nenhuma emoção pra lá de forte por eu já estar me contorcendo toda na poltrona contando os minutos para que tudo aquilo acabasse logo.
Mas me parece um bom filme, não um GRANDE filme, apenas um bom filme. Bom mesmo. Bill Murray está excelente e merece a tal estatueta do oscar, a atriz iniciante é bonita e bastante boazinha para quem está começando e o lugar que eu não quero conhecer tão cedo é o Japão!
Para variar o título em português não satisfaz. Encontros e Desencontros... que merda. O filme fala sobre falta de comunicação, que aliás é um dos grandes problemas da humanidade. Se estar sozinho entre amigos ou ao lado de um parceiro é tão comum, imagine estar sozinho no mundo, perdido, sem nada concreto que lhe dê prazer. E que bom encontrar alguém que se sinta da mesma maneira né?
Enfim, o filme é bom, mas não acho que a Sofia Coppola tenha se aprofundado muito no assunto, portanto o filme pra mim é isso: bonitinho, bem feito e com um roteiro razoável, nada que faça você sair do cinema com o coração disparado e disposto a dar uma reviravolta na vida. E quem disse que um filme precisa de todas essas características para ser "assistível"?
Pode até ter sido pelo desconforto no cinema (aceito as intrigas da oposição neste caso), mas preciso admitir que o chopp ultra-gelado me marcou muito mais do que o filme.
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Não poderia deixar de comentar aqui o show da Maria Rita no Claro Hall este sábado. Maravilhosa, talentosíssima e um amor de pessoa, Maria Rita um belo dia resolveu mudar e fazer tudo o que queria fazer. E fez. E mandou muito bem. Ponto. Aos carentes e saudosistas que a comparam com a mãe digo-lhes que ela realmente é parecida nos trejeitos e na voz, mas não venham me dizer que esta mulher não tem talento ou faz de tudo para copiar a mãe! Elis é maravilhosa, eterna, um mito, mas Maria Rita merece o lugar que está ocupando, que definitivamente é só dela.
Só uma observação sobre o Claro Hall: quem transmitiu as imagens no telão mandou muito mal. A maioria das imagens da Maria Rita apareciam de longe, da mesma distância que conseguíamos enxergar o palco. Brincadeira né? Telão tem que transmitir 90% de closes e detalhes, eu acho. E mais uma coisa que me decepcionou: o atendimento. Meia dúzia de garçons para mais de mil pessoas? Mandaram mal e perderam dinheiro, com certeza. Mas como há males que vem para bem, um bêbado na mesa ao lado, que encheu o saco, cantou alto e sacudia os braços conseguiu ficar sóbrio e em silêncio na metade do show, hehe.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 1:57 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
AS INVASÕES BÁRBARAS
(Denys Arcand, França/Canadá, 2003)
Gosto de sair do cinema muda, com o coração descompassado e refletindo profundamente a minha vida. Emoções profundas, mesmo que fáceis, manipuladoras ou apelativas, fazem valer o ingresso. Por isso eu digo que Spielberg funciona mais no meu período pré-menstrual. Por isso acho que a validade do ingresso depende do meu estado de espírito no momento.
E sábado eu estava aberta, catártica. Eu estava silêncio confortável que suprime palavras. Eu pairava esperança e medos futuros. Eu hesitava. E descobria qualidades de um mundo cruel. Na sala escura eu tinha uma mão apertando a minha e enchendo de calor a usual solidão que um ar condicionado forte teima em ressaltar sem piedade.
E neste emaranhado de emoções fáceis eu penso na vida e penso na morte. Imagino como gostaria de morrer. Talvez cercada da família e dos amigos, mas somente os verdadeiros, não os amigos de copo, não os amigos dos bares. Imagino que no dia da minha morte eu gostaria de sentir a brisa da praia da Barra em Salvador exatamente ao pôr do sol. Gostaria de ver o céu de Belmonte numa noite sem eletricidade, com estrelas sobrevoando as nossas cabeças. Neste momento eu quero música! Quero dançar um maxixe de rosto colado, quero tomar o último trago e olhar nos olhos de quem me ama de verdade. Depois o amanhecer do dia na praia do Arpoador e um violino tocando Bach. Um mergulho em Itacoatiara, naqueles dias em que o mar fica azul e parado, calado, zen. Mais tarde um almoço gostoso com uma cerveja gelada e risadas e histórias daqueles tempos em que nada poderia mudar um dia. Uma tarde sem preocupações na rede e mais tarde um café com bolo quente e conversas dos nossos tempos de criança pulando muro, subindo em árvore e tentando voar saltando de guarda-chuvas abertos. Lembrar sem rancor do tempo perdido, olhar para trás e ver que construí coisas bonitas. Perdoar palavras impensadas e atitudes já arrependidas, ultrapassadas, mordidas, violentadas. Perdoar a ignorância, a paciência e a preguiça. Poder deixar que te cerrem os olhos tranqüilo.
Minha morte seria de emoções fáceis e nada possuo aqui que possa ser usado contra elas. Até porque emoção difícil não existe e a facilidade das lágrimas varia de alma para alma.
Também não alimento "ismos" e opiniões radicais. Concordo que somente um idiota não muda de opinião durante a vida. Acredito sermos todos bárbaros e culpados de nossas próprias mazelas. Somos tão iguais quanto diferentes e depois da morte vamos para o mesmo lugar índios negros muçulmanos socialistas cineastas homens de negócios. Mas enquanto estivermos vivos é a vida que temos agora e a que ainda nos resta que devemos amar, por que quando um homem ama somente o seu passado e lhes digo que ele já está morto há muito tempo.
Se você leu até aqui e está puto da vida por que não me viu escrever sobre o filme, das duas uma: ou não assistiu ou não entendeu. Para você um foda-se, uma risada amiga e mais alguns parágrafos, para não dizer que não falei das flores.
Tenho uma certa implicância com autores que se dizem auto-biográficos. É óbvio que nossas obras são auto-biográficas. É possível um homem contar histórias das quais ele não viveu? Nunca! Denys Arcand com as suas mal faladas emoções fáceis me fez sair satisfeita do cinema num sábado em que pouca coisa poderia dar errado, mas não acredito em "obra de arte" ou "grande crítica aos EUA", porque diante das obras já existentes no cinema, "As Invasões Bárbaras" não surpreende tanto. Mas é um bom filme, que merece ser visto.
A falta de grana foi bem contornada por Arcand que usou mais diálogos do que gostaria para economizar nas locações e, mesmo com um filme abarrotado de diálogos, ele conseguiu falar com imagens, principalmente nas cenas finais e na relação do enfermo com a junkie_ que na minha opinião, é a melhor invasão na vida dele.
A imagem do capitalismo, do império ou dos EUA no filho é bem trabalhada e, no fim das contas positiva, afinal ele é o responsável por tudo de bom que acontece na vida ou preparação para a morte do nosso protagonista, um socialista de opiniões radicais e estreitas, fracassado, desiludido, looser, que não construiu nada de útil além dos jantares para os amigos intelectuais numa casa de campo. O que importa decorar trechos de Sartre, Camus e outros se ele próprio não passou de um professor invisível aos seus alunos e nada de concreto construiu com seus ideais falidos? O filho bem sucedido, ao contrário, era movido à ação e, mesmo com maneiras não convencionais, ele chegava onde queria.
Paira uma pergunta: onde está a grande crítica?
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 3:15 PM
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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
CIDADE DE DEUS - MERECIDA PREMIAÇÃO
Afinal, qual a importância do Oscar?
Será que uma academia que já premiou a atriz Gwyneth Paltrow como melhor atriz merece crédito? Não foi ela quem ganhou de Fernanda Montenegro, se não me falha a memória? Putz, era como se a grande Fernanda perdesse um prêmio para a Débora Secco. Estou errada? Enfim, não sei como rola essa maracutaia toda, esse lance de grana e o quanto esta premiação pode ser levada a sério, mas não tenho dúvidas de que é surpreendente e ótimo o nosso Cidade de Deus concorrer a quatro estatuetas. Não é comum um filme legendado concorrer a melhor filme e muito menos um roteiro em língua estrangeira ser indicado. Isto comprova que não basta você ser bom, mas é essencial um trabalho exaustivo de marketing, o que a Miramax cavou desde o início de sua parceria. Eles já sabiam o que estavam fazendo. Bom para a gente não é mesmo?
Sim, porque agora pouco importa a validade do Oscar. O que realmente interessa é o nosso cinema ser visto e divulgado. Porque se há uma vantagem na cerimônia mais brega do mundo é justamente o fato dela ser transmitida em massa ao mundo inteiro. Porém, por um lado, o que entristece é a possibilidade dos nossos melhores técnicos saírem do Brasil para trabalhar lá fora. O Daniel Rezende, responsável pela montagem, já está recebendo diversos convites e eu espero que ele continue aqui, contribuindo com a gente, apesar de reconhecer que o Brasil não paga o que esses profissionais merecem.
O processo de montagem de Cidade de Deus é interessante. O Daniel trabalhava com publicidade e editou o filme como ele estava acostumado a fazer. O Meirelles deu liberdade a ele em seu trabalho e esqueceu de dar uns toques como, a montagem em cinema é um pouco mais lenta, não se usa muito telas divididas (apesar do De Palma usa-las de forma brilhante, eu acho), etc. No final das contas a montagem ficou excelente e a "falha" de usar recursos publicitários acabou virando além de uma vantagem, um diferencial no filme, um estilo próprio e inovador, que acompanhou a série para televisão Cidade dos Homens, que também já ganhou diversos prêmios lá fora e é sem dúvida uma revolução na tv brasileira. Para quem não assistiu, vale à pena alugar os dvds.
Para ler a minha antiga resenha sobre Cidade de Deus clique aqui e depois aqui.
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De acordo com a minha pesquisa anterior, meus leitores acreditam em amor à primeira vista. 49% contra 38%. Fiquei assustada com os 11% que não acreditam no amor. Mas o que é isso, minha gente. O amor existe e é lindo!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 1:17 PM
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Terça-feira, Janeiro 06, 2004
SEXO, AMOR E TRAIÇÃO
(Jorge Fernando, 2004)
UM FILME PARA FRITAR O MELÃO NAS FÉRIAS
"Fazer televisão serviu como um ensaio de 20 e poucos anos para que pudesse fazer meu primeiro filme. Eu não me sinto começando, é como se eu estivesse fazendo a minha vigésima quinta novela."
(Jorge Fernando)
Que o povo gosta de novela todo mundo sabe. Que o povo gosta de novela em tela grande, afff... quem não sabe? Mas que um "filme" dirigido por Jorge Fernando, entupido dos maiores clichês possíveis em novelas, fosse fazer sucesso... mas será que fez sucesso? Nem sei, estou por fora.
Mas o que me deixa virada na porra mesmo é ouvir coisas do tipo "Ah, esse é um filme leve de verão... não é um drama de inverno" Hahahahaha, só rindo mesmo do nosso filósofo contemporâneo Fábio Assunção. Então quer dizer que as pessoas tem maior probabilidade de pensar no frio? Ou são as praias que danificam o cérebro de cariocas e baianos? Brilham e nos tiram toda a atenção com ondas macias, nos impedindo de raciocinar, é isso? Será por isso que nunca se viu por aqui eleições em janeiro? Pois aí está uma ótima dica para políticos e afins... uma época em que o povo pensa menos ainda, o verão!
Quanta babaquice junta. Amigos fuleros, neste verão bebam bastante água, abusem das saladas, pratos leves, sucos de frutas, mas não enfrentem uma fila para assistir ao filme leve do Jorge Fernando... Com os 12 reais do ingresso é possível alugar 3 filmes decentes numa boa locadora, destes em que o funcionamento do seu cérebro no verão não é questionado!
Que fique claro aqui que não tenho nada contra filmes despretensiosos ou leves, apenas não quero ouvir de ninguém que a minha cabeça não funciona no verão. Ai que saudades das comédias leves da minha adolescência... alguém aí lembra da despretensiosíssima "Viagem Insólita" na sessão da tarde? Como era bom o tempo em que se acreditava no perfeito funcionamento cerebral nos meses de janeiro e fevereiro...
Voltando ao "filme"... o título "Sexo, Amor e Traição" já é por si só uma catástrofe. Puxa vida, não tinha algo mais original? Tudo bem, que o Jorginho quis tirar o pudor e as lágrimas do drama mexicano, acho isso ótimo, mas o título precisava acompanhar o filme lá da terra dos burritos? Caramba, ele conseguiu somente no título, alcançar o top do clichê dos clichês! Terrível! Este título é vergonhoso!!! Aliás a péssima escolha (escolha?) só confirma um roteiro escrito nas coxas e de qualquer jeito. Ele deve ter pensado que um filme com sexo, amor, traição e a bunda do Fábio Assunção não precisava de mais nada, ainda mais sendo uma comédia-verão. Ai, se essa moda pega...
Mas tenho que admitir que o pensamento do Jorge Fernando não foi dos piores, afinal a bunda do Fábio Assunção valeu o meu ingresso! (Calma gente, eu sou estudante e pago meia!) Aliás ele está ótimo no papel de garanhão, ofuscando todos o elenco, com exceção da Malu Mader, que também achei muito boa. O Murilo Benício, pelo amor de deus, está tão ruim que eu fiquei com vergonha... e a Heloísa Perissé, putz, sem comentários! O que é aquilo? Eu jurava que aquela voz de retardada era somente para interpretar a debilóide "Tati" da tv. Mas não... a voz da mulher é daquele jeito mesmo...
Voltando ao gostosíssimo Fábio Assunção, que por sinal seus trejeitos me fizeram lembrar de Brad Pitt em "Clube da Luta", acho que ele é lindo, tem uma bunda ótima, trabalha bem, é um bom ator, mas precisa estudar mais um pouquinho de cinema para não abrir a boca em entrevistas e falar besteiras. Não sei porque todo mundo que não entende lhufas de cinema e quer falar sobre o cinema brasileiro cisma em citar Glauber Rocha. No JB de hoje, o Fábio reclama das críticas feitas ao cinema comercial, ao cinema da Globo Filmes, à escassez de cinema policial no Brasil e termina com a pérola "... Estes [filmes sociais passados no Nordeste] são superimportantes, mas não podem ser os únicos em cartaz. Glauber Rocha podia até saber mostrar o Brasil em seus filmes, mas o país não viu esse Brasil que ele mostrava."
Respondendo a uma coisa de cada vez...
1- Em relação ao Glauber Rocha, o defunto tupiniquim mais revirado de todos os tempos, ele mostrou um Brasil que o país vê até hoje, justamente porque o sonho do cinema novo morreu lá mesmo no final de sua década e nada mudou. Agora parem de usar o nome do Glauber em vão, deixem o cara descansar e façam como ele mesmo fez a vida inteira: pensem por si próprios, vão criar suas teorias, suas reivindicações... chega de ficar citando cineasta famoso sem ter nunca lido ou assistido a nada de sua obra, mas que merda isso!
2- Filme policial no Brasil... O Fábio Assunção falou disso ao reclamar da falta de sucesso do filme em que atuou "Bellini e a Esfinge". Falta de sucesso perdoável, de muito sentido e que prova a inteligência do povo, que não cai em qualquer lorota escrita por Tony Bellotto. Pelo amor de deus! Se o livro já era ruim o roteiro conseguiu ser pior ainda! E NADA no filme se salva! Arte, fotografia, som, montagem...NADA! Podiam ter mostrado a bunda do Fábio Assunção, mas nem isso... Concluindo então, eu concordo com o Fábio em relação à liberdade que os cineastas brasileiros poderiam ter em relação aos temas, mas é lei no Ministério da Cultura, que só fornece apoio a filmes com temas exclusivamente nacionais. Acho válido neste momento de crescimento de nossa indústria cinematográfica, mas acho que seriam válidas algumas emendas. Se bem que temos "Cidade de Deus", que nada mais é do que um filme de ação passado nas favelas. É possível sim fazer filmes policiais no Brasil, o que faltam são bons roteiristas afim de investir no tema.
3- Ninguém tem preconceito e critica filmes só porque eles são da Globo Filmes ou são comerciais... apesar de hoje em dia qualquer filme desvinculado da Globo Filmes ser considerado "independente", as pessoas criticam quando o filme é ruim mesmo. E Fábio, ninguém está criticando Sexo, Amor e Traição por ser um filme dirigido por um diretor de novelas da globo, as críticas são para a péssima qualidade do filme, que mais se assemelha a um especial da globo do que a um filme propriamente dito. As pessoas que gostam de cinema, justamente por ser uma arte em que á possível falar através de imagens mais do que qualquer outra arte, se vêem decepcionadas ao encontrar lá na sala escura, um teatro filmado em tela grande. Eu gosto de dizer que tudo na vida se resolve com diálogos, menos um roteiro de cinema.
Enfim, o Fábio Assunção é bonito, gostoso e bom ator, só precisa saber escolher melhor os seus projetos. Não recomendo Sexo, Amor e Traição e nem acredito em carreira no cinema para o Jorge Fernando. A Malu Mader poderia também escolher melhor os seus projetos (já que é bonita e trabalha bem), o Murilo Benício deve estar passando por um momento difícil,já que a sua atuação é inexplicável, a Heloísa Perissé precisa passar batida dos cinemas e o restante não me deixou maiores lembranças.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 2:21 PM
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Segunda-feira, Dezembro 29, 2003
PULP FICTION ( Quentin Tarantino, 1994)
"O caminho do homem justo é cercado por todos os lados pela iniqüidade dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Abençoado aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, conduz os fracos através do vale das trevas, pois ele será verdadeiramente guardião de seu irmão e aquele que encontra ovelhas desgarradas. E eu atingirei com grande vingança e raiva enfurecida aqueles que tentarem envenenar e destruir seus irmãos. E vós sabereis que meu nome é o Senhor quando minha vingança se abater sobre vós."
(Ezequiel 25:17)
São interpoladas no filme três narrativas com personagens conscientemente fictícios: dois matadores de aluguel, Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta), que trabalham para o patrão Marcelus Wallace, marido da toxicômana Mia (Uma Thurman); um boxeador, Butch (o gostosão do Bruce Willis), em fuga por ter traído Marcelus e um casal de assaltantes que mudam o rumo de seus negócios, passando a roubar restaurantes em vez de bancos.
Vincent, a pedido de Marcelus, leva Mia para sair e ela quase morre de overdose ao cheirar heroína pensando ser cocaína. Junto com Jules, vai matar um grupo de garotos que traíram Marcelus em seu negócio. Porém, se metem numa confusão ao matar sem querer o último dos garotos num carro à luz do dia. Resolvido o problema vão tomar um café justamente no restaurante que está sendo assaltado pelo casal "Xuxu e Fofinha".
Butch, o boxeador, quebrou seu pacto com Marcelus que havia lhe dado uma quantia de dinheiro para ele cair no quinto round, mas ele não só ganha como mata seu adversário. A partir daí, planeja fugir com sua avoada namorada francesa. Porém, descobre que precisa voltar em casa para buscar seu relógio de estimação e encontra com Vincent, matando -o em seguida. Quando pensa ter escapado ele dá de cara com Marcelus e eles quase se matam, ficando quites depois que Butch livra o chefão de um estupro (diga-se de passagem uma das cenas mais bizarras de estupro que já vi no cinema).
O casal de assaltantes "Xuxu e Fofinha", são humilhados por Jules, que reverte todo o rumo do assalto, os põe para fora com o dinheiro dos presentes e todo o conteúdo de sua própria carteira, alegando estar comprando suas vidas, já que o dinheiro serviria para ele não os matar. Jules, depois de sobreviver ileso de uma série de tiros, diz ter vivido um milagre e que pretende deixar a vida de gângster.
Travolta no estilo canastrão de "Nos Embalos de Sábado à Noite"
POP ARTE
Pulp Fiction faz referências constantes à pop arte, que vem do termo inglês "pop art" que significa arte popular, ou seja, são referências à cultura de massa. Um artista símbolo da Pop Arte nos EUA é Andy Wharol, que nos anos 60 trouxe para a pintura símbolos populares até ali inconcebíveis no meio artístico. Wharol pintava garrafinhas de coca-cola, retratos da Marilyn Monroe, latinhas da sopa Campbell, por exemplo.
Até hoje a Pop Arte provoca discussões entre críticos. Uns a consideram banal, mera variante da publicidade, porém outros, vêem na Pop Arte uma crítica ao consumismo de massa.
A Pop Arte está presente em Pulp Fiction desde o seu próprio título, que é explicado no início do filme: Pulp (Polpa) = 1.Massa de matéria mole, úmida e informe. 2. Revista ou livro de tema sensacionalista, caracteristicamente impresso em papel grosseiro, sem acabamento.
Pulp Fiction é um escracho. E também é cinema mental. O filme possui um conflito entre a banalização da violência e o cinema reflexivo. Além de uma narrativa não-linear, há paradas no tempo do filme para questões "filosóficas"_ essa descontinuidade temporal foi introduzida por Brecht no teatro no que se chamou de "a quarta parede" e no cinema por Godard, que agora volta as telas através de Tarantino, seu explícito seguidor.
Posso citar como exemplo a cena em que Vicent e Jules estão chegando no apartamento de um grupo de adolescentes para matá- los e param na porta para discutir sobre o possível erotismo de uma massagem nos pés. A câmera para num canto, o tempo da história para num outro canto e eles convidam o espectador a filosofar sobre este assunto "banal".
QUENTIN TARANTINO
Que ele trabalhava num balcão de locadora todo mundo sabe. Que ele era fã do Godard também. Mas que ele estudava teatro e falsificava seu currículo com uma inexistente participação na peça King Lear (do Godard) e esse seu papel chegou a ser listado num guia de vídeo... Tarantino escreveu o roteiro do filmaço "Assassinos por Natureza", de Oliver Stone; escreveu e dirigiu "Cães de Aluguel", outro filme top de linha e descobri outro dia que ele escreveu o roteiro da comédia (nonsense) "Grande Hotel".
Aliás o Jogos, Trapaças e Dois canos Fumegantes do Guy Ritchie me parece uma referência muito da mal feita de Cães de Aluguel, com efeitos moderninhos demais e exageiros na quantidade de músicas, o que Tarantino tratou muito bem em Pulp Fiction. Não é para qualquer um.
Pena que ele não tenha dirigido mais nada de qualidade depois de Jackie Brown em 97 e ficou trabalhando mais como ator. Vai entender, puta desperdício. Vamos esperar o que vem de bom por aí em Kill Bill...
Mia Wallace, a figura de sua personagem foi obviamente inspirada em Anna Karina, a mulher de Godard.
A MALETA
Alguém se lembra da maleta que Jules carregava pra cima e pra baixo no filme e que quando aberta brilhava de ofuscar a vista? O que teria dentro dela? Há 3 teorias:
Teoria McGuffin
Hitchcock certa vez explicou que "McGuffin" é qualquer coisa que conduz o roteiro, mas não precisa ser necessariamente explicada. Não é importante o que Marion irá fazer com os $40.000 em Psicose; o que os agentes procuram em North By Northwest; ou o que está na maleta. É simplesmente o que imagina o espectador.
Teoria da Alma
Lembre-se da primeira vez em que fomos apresentados a Marsellus Wallace. A primeira tomada dele foi da parte de trás de sua cabeça, com um band-aid. Depois, lembre-se que a combinação da maleta era 666. Depois, lembre-se que toda vez que alguém abria a maleta, ela brilhava, e eles ficavam maravilhados pela sua beleza; ficavam sem fala. Agora, com algum conhecimento da Bíblia, lembre-se que quando o diabo pega sua alma, ele a tira pela parte de trás de sua cabeça. É isso aí, você adivinhou. E qual a coisa mais bonita de uma pessoa? Sua alma. Marsellus Wallace tinha vendido sua alma ao diabo, e estava tentando comprá-la de volta. Os três garotos no começo do filme eram os ajudantes do diabo. E lembre-se que quandoo garoto no fim saiu do banheiro atirando, Jules e Vincent não foram atingidos pelas balas. "Deus desceu e parou as balas", porque eles estavam salvando uma alma. Foi intervenção divina.
Teoria do Brilho
Tente recordar dos desenhos animados e estórias em quadrinhos. O que acontecia toda vez que um personagem levantava a tampa de um baú do tesouro, maleta, ou qualquer outro recipiente que continha algo que o espectador/leitor era levado a acreditar ser valioso? Em várias ocasiões, a caixa emitia um brilho amarelado ou dourado junto com as linhas que irradiavam da fonte. Isto era para informar, geralmente para uma criança, que havia algo valioso no baú. Com o passar do tempo, ao vermos essa imagem repetidas vezes, começamos a acreditar que é real, que quando uma mala é aberta contendo algo valioso, esperamos ver o brilho. O brilho é uma indicação visual de valor - simula valor. Com o passar do tempo, a simulação torna-se mais real que o original. Torna-se hiper-real. Este exemplo ocorre somente no mundo dos desenhos e quadrinhos, mas certamente Tarantino cresceu com ambos e num ato de apropriação pós-moderna, ele adaptou a técnica para si. O conteúdo da maleta brilha para nos informar que há algo valioso nela, sem mostrar-nos exatamente o que é.
Isto serve a, no mínimo, dois propósitos: Um, ele não tem que colocar nada na maleta que seria trivial e muito usado - drogas, dinheiro, etc. Quantas vezes já vimos isto? Isto leva a um segundo propósito: adiciona um elemento de mistério ao roteiro e especulação pelo espectador.
O que devemos recordar-nos é que o brilho não é real, não existe. A simulação tornou-se o real. Já vimos tantas vezes que assumimos que existe mesmo, mas é apenas uma técnica. O conteúdo da maleta não tem a necessidade de brilhar.
Tarantino é um filho do pós-modernismo e um mestre da apropriação. Veja pela música e até mesmo o "look" de seus filmes. Ele definitivamente "pega emprestado" regularmente.
As teorias da maleta eu encontrei no site Tributo a Pulp Fiction e lá vocês podem encontrar outras coisas interessantes a respeito do filme.
Indico também a leitura do roteiro do filme, lançado pela editora Rocco. Lá estão muitas cenas inéditas, que não foram para o filme. E é muito legal ler os roteiros do Tarantino, ele possui uma maneira ímpar de escrever seus filmes e vocês vão curtir coisas que não são possíveis de se encontrar em nenhum filme, só em bons livros. Não se assustem ao se deparar com descrições de figurantes do tipo: "babaca 1" ou "mulher com cara de maluca 2".
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Espero que o Natal de vocês tenha sido bem retado e que o Ano-Novo seja ainda melhor!!! Beijos para todos!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 7:56 PM
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
TRAINSPOTTING (1996, Danny Boyle)
"Take yir best orgasm, multiply the feeling by twenty, and you're still fuckin miles off the pace".
Você pode escolher ter um emprego, uma carreira, família, uma televisão grande para comer porcarias na frente dela. Pode escolher ter saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Também pode escolher colocar no mundo filhos egoístas. Mas para que? Ranton, Spud, Tommy e Franco escolheram outra coisa. Escolheram não ter uma vida, por que a vida cotidiana é medíocre. E eles não precisam de motivos, já que têm a heroína.
O filme não critica a vida junkie, mas a vida cotidiana, a mediocridade das relações de aparências estéticas e morais. Tudo isso sob a ótica do jovem pós-moderno, que vive desprovido de ideologias e propósitos na vida. Herança da vida moderna que tenta estabelecer a "NÃO TOTALIDADE DE TUDO". Por exemplo, hoje com a internet temos tudo e ao mesmo tempo nada, somos qualquer pessoa e ao mesmo tempo ninguém, não passamos de um código. Ou a música eletrônica, que a princípio é uma mistura dos diversos estilos musicais e ao mesmo tempo não é nenhum.
Trainspotting nos remete à questão do vazio dentro desse jovem, que se sente inútil, vazio e solitário mesmo ao redor de supostos amigos e da família alienada e incapaz de compreender suas aflições, já que nem ele mesmo as compreende.
Assim como Pulp Fiction, Trainspotting é um filme que aborda a violência de maneira honesta, sem didatismo ou falso moralismo. O filme de Tarantino é um escracho, já o do escocês Danny Boyle é uma bomba nas nossas cabeças ocas que nos faz refletir sobre o que pretendemos fazer com a nossa vida.
Uma vez um professor me contou que ouviu de seu mestre a seguinte frase: "Se não sabe o que fazer com a sua vida, acabe com ela." Dura frase, mas com fundamento.
As imagens são duras, diretas e poéticas. Tem duas cenas clássicas das quais ninguém nunca mais esqueceu: a cena em que o Ranton mergulha na privada atrás de seu supositório de ópio e a cena da overdose, em que ele afunda sobre o tapete vermelho e este o acompanha até o hospital. Tem também a cena em que o bebê morre no apartamento deles e num delírio ele o vê engatinhando sobre o teto.
E quando eu digo tratar a violência de maneira honesta eu me refiro a não tratar a violência como um show ou um espetáculo. Não há nada de engraçado no filme, nem mesmo na cena em que o cara caga nas calças e a merda voa sobre a mesa de café da manhã da família de sua namorada.
No meio disso tudo há espaço ainda para críticas ácidas à sociedade hipócrita, em que milhões de pessoas são viciadas, em drogas ilícitas ou não. Os pais de Ranton por exemplo são viciados em bingo e valium, em drinks e cigarro. Sem falar é claro na cena em que ele diz que os escoceses são os mais idiotas escravos do planeta, colonizados por um bando de babacas, os ingleses e nenhum ar puro ou montanha paradisíaca vai mudar esta condição.
No fim das contas Ranton decide se enquadrar na sociedade, mas ninguém sabe se na próxima esquina ele decidiu tomar mais uma dose. Irvine Welsh já escreveu a continuação, o seu novo livro se chama "Porn" e seria os quatro amigos 10 anos depois se aventurando na indústria pornográfica. O diretor quer fazer a segunda parte do filme, mas não há nada decidido ainda. Ewan Mcgregor está relutando em aceitar o papel por não achar o segundo livro tão bom quanto o primeiro.
Eu particularmente não gosto muito de seqüências, mas... é esperar pra ver no que vai dar. Se tudo der certo o filme sai no ano que vem ou no outro. Eu torço para que fique tudo como está. Tá com saudades? Compre um disco do Iggy Pop.
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Gostaria de me desculpar por não ter ido ao encontro dos blogueiros, mas vocês precisam compreender que antes de tudo eu sou uma pessoa fuleira, né? Hahaha... Mas eu faltei por um bom motivo, justamente no sábado eu comecei a namorar e não consegui desgrudar dele... a gente poderia ter ido junto, mas... ah, preferimos ficar sozinhos se é que vocês me entendem! O que interessa agora é que estou muito feliz e apaixonada, então preparem-se para muitas resenhas de filmes românticos nesta nova temporada do Fulerus Filmes_ que anda menos ácido, menos reclamão, menos crítico... e muito mais feliz!
Um feliz Natal para todos, obrigada pelo carinho de vocês, pela amizade, mesmo que virtual e pela companhia em todos os meus momentos de nerd este ano. Em março quando finalmente aderi à internet 24h, não imaginava como iria conhecer pessoas tão especiais! Um ótimo 2004! Um 2004 retado! Um 2004 da porra!!!
Axé.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 10:55 AM
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
Oi galerinha, seguinte: estou meio atolada com o meu projeto final da faculdade, não sei se mencionei aqui, mas estou preparando o projeto de um roteiro chamado "Minhas Tardes de Chopin". Se for aprovado pela banca, eu vou poder filmar no semestre que vem em película 16mm.
Enfim, não reparem a minha ausência estes dias, para compensar vou publicar aqui um post antigo que muitas pessoas gostaram.
Um dia eu volto a caprichar assim neste blog...
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DOUTOR JIVAGO
(1965, David Lean)
"SVOBODA! RAVENSTVO! BRATSVO!"
O LIVRO
O Filme é baseado no livro autobiográfico de Boris Pasternak. Ele, assim como Jivago era poeta, sofreu a censura da Revolução Russa e amou duas mulheres ao mesmo tempo. Este livro foi uma declaração de amor à Olga, sua amante que o inspirou na criação de Lara e à Rússia. Boris ficou chocado ao ser acusado de anti-soviético, afinal ele amava a sua terra natal, apenas se decepcionou com o governo bolchevique, assim como todos os que admiravam os ideais de Marx e Engels. Em 1965, no lançamento do filme o livro ainda era proibido na URSS e só foi publicado em sua língua materna em 1988, após ser retirado de lá em 1957 por um admirador que o publicou em Italiano. A partir daí, o livro chamou a atenção do mundo inteiro. Inclusive em 1958 Pasternak ganhou um prêmio Nobel, mas não pôde comparecer a Estocolmo para recebê- lo. Hoje o túmulo de Pasternark é palco de leituras diárias de poesia.
DAVID LEAN, UM DIRETOR PERFECCIONISTA AO EXTREMO
Diretor de filmes como "Lawrence da Arábia" e "Ponte do Rio Kwai", David Lean teve permissão dos estúdios da MGM para filmar Doutor Jivago como quisesse. Perfeccionista e obcecado por detalhes, Lean chegou ao extremo numa cena em que uma mulher tenta subir no trem em movimento e se machuca seriamente. Ele causou espanto no local quando a ambulância chegou para carregar a mulher e ele apenas disse: "vistam a substituta" e continuou com as filmagens. Inclusive a cena do filme é a cena do acidente, ela não foi refeita, eu percebi claramente, dá pra ver que a mulher quase que vai mesmo para debaixo do trem. Ele não demontrava, mas estava preocupadíssimo e ligou várias vezes para o hospital. Lean costumava ser frio no set de filmagem e fora dele nem se comunicava com os atores, porém depois ficaram muito amigos. O negócio dele era fazer a coisa funcionar, e vejo que conseguiu. O set, segundo os atores era algo assombroso como um templo. E dá pra entender perfeitamente, como disse uma vez um professor meu de produção: num filme desses, o set se torna uma sala de cirurgia, cada segundo é valioso, porque eles valem muitos dólares. Para se ter mais uma idéia do perfeccionismo deste diretor, ele obrigava os atores a usarem roupas íntimas da época, que nunca iriam aparecer.
O FILME
Foi o filme mais caro da época. Custou 15 milhões de dólares e teve um retorno de mais de 200 milhões para a MGM. O produtor Carlo Ponti, que conseguiu trazer Jivago para as telas, queria que a sua esposa, Sophia Loren, fizesse o papel de Lara. Mas Lean recusou alegando Sophia ser muito alta e grande. E como ele tinha moral lá com a MGM ninguém discutiu. Aliás, o estúdio só permitiu um filme com tão alto orçamento com a direção de David Lean.
Ele (Lean), disse que o filme era basicamente uma história de seres humanos e não queria tratar o filme como um filme político. Pediu para o roteirista, Robert Bolt, focar o romance e menosprezar a política e Bolt fica desconcertado, porque acha que o filme é uma história de amor sobre a Revolução.
Eu concordo. E vendo o filme não consigo engolir bobagens do tipo "é um romance piegas e escapista com a Revolução Russa como pano de fundo", até porque se música de fundo é peido, pano de fundo é cueca. Eu acho o filme político sim, tanto o filme quanto o livro. E se os autores e críticos negam isso eu sinceramente não consigo enxergar o porquê. Bolt foi brilhante em sua declaração. Até porque, repito, acredito ser todo filme político. De maneira alguma a política foi menosprezada no filme, assim como não existe imparcialidade, os ideais de revolução contra a burguesia aristocrata e contra ao estreitismo stalinista estão escancarados em cada cena, desde as cenas de romance (sim, que liberdade é essa a que todos aspiram se jivago e Lara não podem viver seu amor em paz?) até as cenas aparentemente mais simples, como a de uma criança que mostra o seu dever de casa, que era desenhar o czar e aprender que ele é o inimigo do povo.
Palácio de Gelo
ARTE
Uma obra prima, que merece destaque para o designer John Box. O palácio de gelo é um dos cenários mais deslumbrantes da história do cinema. Tem uma cena em que Jivago e Lara fogem até uma casa há muito abandonada e ela está coberta de gelo. Tudo isso foi feito quase que artesanalmente com cera de abelha . A cera branca foi derretida e jogada nos móveis com um balde e depois jogaram água gelada por cima com uma bomba, fazendo com que tudo congelasse.
No filme estão presentes as 4 estações e a maioria das cenas foi filmada na Espanha, debaixo de um calor de 38o C. Um dia era outono e as folhas das árvores eram pintadas à mão. No dia seguinte era inverno e tudo era coberto de neve, com a preocupação de usar um fundo branco de plástico coberto de pó de mármore.
E a beleza dos contrastes é indescritível! Cenas como as do trem, vistas de cima, com a bandeira vermelha contrastando com o branco da neve ou as cenas das ruas, quase preto e brancas impactando de novo o vermelho das bandeiras, são lindíssimas. Há até uma cena, que acho que foi uma referência de Tom Tykwer a este filme em Paraíso, na qual vemos a tela preta como ponto de vista do trem e depois a luz fora do túnel surgindo.
Há uma cena não menos maravilhosa e poética do momento em que Lara deixa o hospital e Jivago atravessa a sala vazia, cinza, sem muitas cores e nos deparamos com girassóis amarelos que "choram". John Box usou fios amarrados e puxou as pétalas para simular o choro dos girassóis russos pela falta de Lara.
A poesia do filme é a visão de Jivago, médico e poeta, e todas as cenas belas do filme atuam como o seu ponto de vista da vida e dos seres humanos. Ele não vai recitar poesias, a visão dele é o poema do filme.
TRILHA SONORA E MONTAGEM
A música, composta por Maurice Jarre, o Tema de Lara, foi por muito tempo assobiada pelos cantos do mundo e muitas meninas nascidas na década de 60 foram batizadas de Lara. De início ele não conseguia agradar Lean e reescreveu sua composição várias vezes até que o diretor o aconselhou a esquecer Jivago, esquecer a Revolução, viajar para as montanhas com sua namorada e compor um tema de amor a ela. Foi aí que a coisa deu certo.
A produção teve problemas na cena em que os figurantes representavam a marcha pacífica e cantavam a Internacional, hino marxista. A polícia do General Franco chegou ao local pensando que algo sério acontecia e, mesmo após ser informada que se tratava de um filme sobre a Rússia permaneceu lá, indignada, querendo saber quem eram aquelas pessoas que sabiam o hino de cor. Dizem que os moradores locais acordaram de madrugada no mesmo dia e começaram a abrir garrafas de champange, achando que Franco estivesse morto.
Merece destaque tembém o som do filme e os efeitos sonoros. O som na maioria das cenas causa um ambiente sombrio e gelado, nos apresenta uma Moscou assombrosa. A cena das marchas de manifestações são belíssimas, milhares de figurantes caminhando e o som de seus passos cria um ambiente temeroso, crescente e que nos avisa que alguma coisa terrível está para acontecer. De resto, o som respeita o modelo clássico do filme, trabalhando arduamente para se tornar invisível, mas assim como a montagem de Norman Savage, isto é impossível. Savage montou acho que todos os filmes de Lean. A cena do massacre à revolução pacífica é perfeita, neste momento o filme nos apresenta uma sucessão de cortes dignas do cinema soviético de Eisenstein e Vertov. Lean, claro, acompanhou a montagem na moviola frame a frame.
Jivago, o seu bigodinho virou moda na época do filme
O ELENCO
Rod Steiger, que interpretou Komarovski, atuou brilhantemente com direito a cenas de improviso e audácia, quando revida um tapa na cara de Julie Christie, a Lara. Ele disse que na hora concluiu que "ninguém bate em Komarovski" e a cena foi mantida no original.
Julie, a Lara ainda era muito inexperiente e teve uma interpretação bem modesta. Lean a quis para o papel depois de assistir a Billy Liar e gostar do jeito que ela carregava a sua bolsa. Vai entender. A Gisele Bündchen outro dia posou no estilo "Jivago" como Lara, mas na minha opinião a Julie Christie é infinitamente mais bonita que ela.
Tonya, esposa de Jivago, foi interpretada por Geraldine Chaplin, filha de Charlie Chaplin, garota propaganda e queridinha dos parisienses na época. A princípio este papel daria boa publicidade ao filme, mas ela atuou muito bem e disse ter se inspirado em sua mãe, Oona O'Neil, uma mulher que se entregou de corpo e alma a um artista.
Omar Shariff, o Jivago, ficou surpreso ao ser escalado para fazer o papel por causa dos seus traços egípcios. Mas ele sofreu duros processos de maquiagem, inclusive usou um elástico para puxar seus olhos arrendondados, o que lhe causou cicatrizes. Foi o seu filho o interpretou quando criança no filme e eles são idênticos.
Lara e Komarovski
O Filme recebeu críticas duras na época e Lean foi acusado de fazer uma "novela espetacular", o que não tiro muito a razão, mas ser acusado de "cenários chinfrins" foi sacanagem. Ele ficou muito abalado e chegou a dizer que nunca mais realizaria filmes.
Agora foi lançada uma adaptação inglesa de Doutor Jivago para a televisão que será exibida em Moscou. Está passando na HBO e, apesar de não possuir a grandiosidade do filme, é um trabalho muito bem feito e que vale a pena ser assistido. A Lara está bem menos bonita, mas as cenas do final, por exemplo, em que Jivago a vê e não consegue chama- la porque está tendo um ataque do coração possui muito mais emoção. Eu não li o livro, mas posso dizer que há elementos no filme que não estão na minissérie e vice-versa. Vale a pena conferir esta obra de amor à revolução e decepção à ditadura socialista. Eles podem alegar a falta de conteúdo político, mas vejo o filme como um desabafo a todos os admiradores do marxismo que o viram ser destruído por Stalin, no início da fama de "comedores de criancinhas", alcançada pelos bravos comunistas do mundo inteiro, igualmente decepcionados.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 11:08 AM
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Sábado, Novembro 29, 2003
QUEM ESCREVE OU VISITA BLOGS E FLOGS E AINDA PENSA QUE NÃO É NERD, SAIA DO ARMÁRIO OU NÃO LEIA ESTE POST!!!
Ontem mesmo, enquanto eu alisava as minhas madeixas, estava pensando... quase um ano de blog, conheci tanta gente legal, queria ver essa gente ao vivo e a cores! Muito nerd esse negócio de encontro blogueiro, mas e daí? Foda-se. Entrei no flog do Guto e pensei "por que não?"
É isso, a divulgação está sendo feita aqui. Cariocas blogueiros levantem essa bunda gorda da cadeira e vamos tomar um chopp!
Tem uma maluca chamada Lara que está fazendo uma ótima divulgação, até copiei um trecho sem a sua devida autorização (coisa de blogueiro nerd e cara-de-pau):
Bloguentos + Floguentos + Simpatizantes , todos devidamente convidados !
KIT ENCONTRO :
* Câmera Digital ou não .
* Óleo de peroba ( passar 1 minuto antes, deixe secar e vá sozinho ! Sozinho ! Não vá de bonde, não chame sua vizinha funkeira pra te fazer cia. porque " não conhece ninguém" , porque vai acabar realmente não conhecendo ... vá na cara de pau , pode me catar lá que eu saio apresentando! Na boa ... Tirando o abacate que teve uma primeira impressão péssima de mim , pode chegar e se apresentar ... )
*Leve seu cascalho pra pagar seu goró ! E não se preocupe porque já existem as baixas-alcoolicas padrão !
*Leve sua identidade - provavelmente rolará conta individual , o que deixará todos muito felizes ...mas não impede que ninguém me pague um chopp de natal !
*Leve seu PODRigo , pra socializar ...
O QUE É UM PODRIGO ?
R: É um "presente" tosco , inútil , fruto da imaginação fértil das cabeças bloguentas . Afinal inimigo oculto rola em qualquer lugar . Mas um podrigo é algo totalmente tosco . Pode ser desde um enfeite que não enfeita até uma foto da Gretchem original !
O do ano passado foi show, eu dei uma bailarina drogada e ganhei uma privadinha amarela...viu como é fácil fazer alguém feliz?
Adorei.
(Tatica mais nerd do que nunca e doida pra conhecer vocês!)
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Sobre a pesquisa "O que Você acha deste Blog?" a maioria das pessoas disseram que era um dos melhores da internet (uau!) e que se sentiam em casa aqui. Percebi que muitas pessoas votaram nas duas opções e fiquei toda boba! :) 6 pessoas disseram ser uma porcaria, hahaha, achei muito, gente! Será que essas pessoas vão voltar no blog? Enfim, se voltarem, mandem emails com sugestões, críticas, sei lá. Só não vale me xingar né? Outro dia recebi um email com tanto palavrão, que fiquei pensando... será isso coisa da fama? Afffffffffemaria!
P.S. Tem uma foto ótima do Zanomia como Jimmi Hendrix no flog hoje! Eu estou cumprindo a minha promessa de uma foto por dia. E vocês? Estão visitando mesmo? Hunf!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 11:48 AM
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Sábado, Novembro 22, 2003
PRENDA-ME SE FOR CAPAZ
(Steven Spielberg, 2002, EUA, 141min)
Antes de tudo uma coisa que me chamou a atenção foi o glamour em torno dos comandantes, pilotos, co-pilotos. Sorridentes, donos do saguão, andando acompanhados de aeromoças belíssimas e deslumbrantes. Cheios da grana, vivendo em mansões, dirigindo cadilacs e jantando em restaurantes finos.
Não sei se realmente é assim nos EUA ou na Europa, ou se foi assim nos anos 60, mas sei que hoje no Brasil e, mais precisamente na VASP, não chega nem perto. Engraçado isso porque o meu pai é comandante da companhia de Wagner Canhedo e ganha mal. Já ganhou melhor um pouquinho, mas o seu salário foi arbitrariamente cortado pela metade. E mesmo antes disso nunca fomos ricos. Outra coisa engraçada de se comparar são as aeromoças... que eu me lembre vagamente era cada tribufú, com uma sombra azul turquesa e batom vermelho ao estilo "24 horas" do Paraguai.
Glamour meu pai tinha quando morou numa cidade do interior da Bahia e pilotava um teco-teco para um fazendeiro de cacau. Aí sim o galego do Rio de Janeiro fazia sucesso com as morenas gabrielas da cor de canela.
Enfim. Isso não é um ego-post e o filme de Spielberg é muito bom. Leonardo de Caprio está assustadoramente bom ator e gato. Parece que virou homem e deixou pra trás aquele corpinho esmirrado e os gritinhos "Rose, Rose" de Titanic. Tom Hanks está perfeito no papel do agente abestalhado do FBI, aquela cara de bonachão o serviu como uma luva!
Se a história não fosse real eu diria que isso era coisa de Spielberg ou de filme infantil de sessão da tarde, em que o protagonista é um gênio e o resto do mundo é retardado, algo parecido com "Esqueceram de Mim", sabe? Aqueles ladrões chulé que são facilmente passados de bobo por uma criança.
Firulas do roteiro a parte, esta história só confirma as teorias do poder da mente. Você é o que você acredita, você é o que você pensa. Eu nunca estudei marketing, mas quem estudou deve saber que uma mentira contada repetidas vezes vira verdade. Foi assim por exemplo que o sbt virou a segunda maior rede de televisão: simplesmente dizendo que o era.
Ahá. E como o moleque se dá bem. A cena em que ele é zoado no primeiro dia de aula e finge ser o professor substituto é hilária. Aposto que vista no cinema provocou os primeiros gemidos de ohhhh, ou reações do tipo putaqueupauriu! Depois desta só mesmo a parte em que ele ganha 400 dólares para transar com a mulher dos sonhos dele. Ou a parte em que ele finge ser do serviço secreto e ainda pede as credenciais do agente do FBI. Ah... só porque era o Tom Hanks, se fosse o Chuck Norris não cairia tão fácil!!!
Ainda continuo achando que esta história parece ser criada por Spielberg...
Mas não é. Quando eu crescer eu quero ser igual ao Frank Abgnale Jr. Auto-confiante e segura do prórprio taco. E quero que a minha vida acabe em pizza de pepperoni ao som de Garota de Ipanema cantada em inglês num hotel de luxo.
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Gente, fiz outro fotolog. Alguém me arruma logo um emprego antes que eu crie o terceiro!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 2:24 PM
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Segunda-feira, Novembro 17, 2003
O JARRO
(Ebrahim Forouzesh, Irã, 1992, 90min)
"Que diabo de filme é "O Jarro"?
_ É mais um filme do Irã, de onde vieram outros clássicos como "O Balão Branco", "O Ciclista" e "A Chave". São todos bons filmes, desde que você tenha coração de manteiga e interesse por ver crianças pobres em apuros porque perderam objetos banais como um sapato, uma chave ou, no caso, um jarro. É o tipo de filme que os críticos adoram, mas não têm coragem para premiar com o Oscar. Foi isso que pretendíamos dizer."
Encontrei esta pérola na internet e, sinceramente, não me conformo com a falta de sensibilidade das pessoas com qualquer forma de arte que destoe do padrão hollywoodiano de produção. Eu gosto da maioria dos filmes americanos, mas ainda bem que me sinto aberta a novas formas e linguagens. É triste, mas é real, as pessoas não conseguem aceitar o diferente, até que ele seja apresentado formalmente pela rede globo ou pelo tio sam.
Eu considero os filmes iranianos uma aula de cinema e de vida. Não é papo de cinéfilo metido a cult porque quem visita este site e me conhece sabe que não sou nada disso. Estes filmes são uma aula de cinema porque conseguem ser simples (sem ser simplórios!!!) e, mesmo com poucos recursos e baixo orçamento conseguem desfrutar do melhor de sua técnica, desde o roteiro bem escrito até a fotografia, a montagem e o som. E são uma aula de vida porque nos passam lições éticas e morais através de um povo, que por mais miserável e inserido no meio de guerras e barbáries, ainda conseguem ter esperança de um mundo melhor, um mundo fraterno. Talvez seja por isso que os ocidentais individualistas e preocupados com a busca de sua própria acumulação de fortunas não consiga compreender estas mensagens, que, mais do que mensagens são literalmente um grito de paz.
Se você assistiu ao "Filhos do Paraíso" e achou que o filme é sobre a busca por um par de sapatos, se assistiu ao "Balão Branco" e concluiu que o tema é a busca por um peixinho dourado e, ainda, se assistiu ao "O Jarro" e ainda acha que este é um filme sobre o jarro pode começar a se apavorar. Você não sabe ler nas entrelinhas e é uma presa fácil para qualquer pessoa que tenha o cérebro um pouco mais desenvolvido que um macaco.
O Jarro é um filme sobre doação, sobre ajudar o outro sem esperar alguma coisa em troca, sobre pensar em conjunto para o bem de si mesmo. A história é sobre um jarro de uma escola no deserto do Irã que racha, fazendo com que os alunos tenham que andar até um riacho longe da escola para matar a sede. Enquanto o professor tenta solucionar o caso, sabendo que o pedido ao governo demorará muito para ser atendido, um menino aponta para o pai de seu colega, que poderia conserta-lo. Mas o pai do garoto demonstra má vontade e diz que não tem tempo. Interessante notar o respeito profundo que aquelas crianças nutrem pelo professor, fazendo com que o menino fique com vergonha de voltar à escola no dia seguinte e acabe fugindo. Depois da confusão, o homem decide consertar o jarro, mas exige os materiais: cinza, argila e ovos. Para quem não sabe, a clara do ovo serve de ligadura. Enfim, como as famílias são pobres e um ovo é muitas vezes a refeição do dia, muitos se recusam a doar ovos e ainda fazem fofoca do professor, dizendo que ele quer os ovos para comer. Profundamente decepcionado o professor quase abandona a escola. Até que uma mulher, contrariando o machismo local, decide sair pelas ruas com as crianças pedindo dinheiro e alimentos para poder comprar um jarro novo. Também vira vítima de fofocas, até que seu filho consegue comprar na cidade um jarro, enchendo de alegria os alunos da escola, que não conseguiram o conserto do jarro rachado.
O diretor usou no filme diversos atores amadores e que nunca haviam tido contato com o cinema desde então. Ele fundou o movimento Cinema Livre Iraniano em 1968 e dirigiu o Centro de Cinema do Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens por 18 anos, realizando 80 filmes neste período. "O Jarro" não ultrapassou a quantia de U$100.000 e ganhou prêmio de melhor filme em Locarno (Suíça) e na Mostra Internacional de São Paulo.
Se os filmes iranianos são todos iguais? É, pode até ser. Pra mim eles são todos iguais e ótimos, excelentes. Não tenho o que tirar nem pôr.
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Gostaria de lembrar que hoje é o aniversário de duas pessoas muito importantes para mim, inclusive na área cinematográfica: minha amiga Ana Maria e meu compadre Martin Scorsese. Ontem foi aniversário do Karlo, vulgo Pinto no Lixo, um gaúcho surfista e violinista. Essa galera de escorpião é mesmo FODA! Bah, então tá tri, parabéns pra vcs!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 9:45 PM
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Sexta-feira, Novembro 07, 2003
MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA
(Julio Bressane, 1969, 80min)
A estória, se é que existe uma estória concreta, é uma miscelânea de crônicas familiares com uma dissonante: cenas de um preso político sendo torturado. Um jovem de classe média baixa do Rio de Janeiro mata os pais a navalhadas e vai ao cinema ver o filme Perdidos de Amor. Este filme dentro do filme mostra duas amigas numa casa de veraneio conversando sobre homens, se acariciando, ouvindo música, enfim, se divertindo no mais completo ócio, que de criativo nada tem e pelo contrário, representa o vazio em que aquelas pessoas se encontram.
Este vazio a que me refiro, faz parte da mentalidade de quem fazia Cinema Marginal na época. Este cinema representava a decepção em relação ao Cinema Novo e suas propostas de mudar o mundo. O Cinema Marginal chega para mandar na lata: O SOCIAL NÃO VAI A LUGAL ALGUM, A POLÍTICA NÃO VAI A LUGAR ALGUM.
O Cinema Marginal desqualifica o universo real do Cinema Novo e pergunta ao espectador a todo instante se o que eles assistem é a realidade fílmica ou real e o prórpio filme é irônico à tentativa vã do espectador de interpreta-lo. Uma cena que mostra isso é o diálogo das duas mulheres_ as mesmas que interpretam as atrizes de Perdidos de Amor_ comentando sobre o filme, dizendo que não entenderam muito bem e que há cenas que nada tem a ver com a história principal, como a cena da tortura e dos assassinatos.
No filme podemos ver quase irreconhecível a Renata Sorrah, muito bonita contracenando com a Márcia Rodrigues em cenas picantes na primeira vez em que um romance entre mulheres é mostrado no cinema brasileiro.
A cena final para mim é a melhor de todas, quando as duas decidem morrer. A câmera tensa na mão, as duas gargalhando e atirando uma na outra, uma no chão e a outra rolando as escadas. Sem falar da vitrola tocando uma música do Roberto Carlos, que arranha e repete repete repete a mesma frase. Poderia ser mais uma crítica ao sonho cinema-novista e seus discursos ultrapassados com cara de vinil arranhado.
Nada contra o Cinema-Novo. Muito pelo contrário, esta época só nos remete orgulho e um gostinho de "quem me dera..." Pela primeira vez fomos reconhecidos no mundo inteiro e copiados, ao invés de copiar. Mas a fila anda e fases são fases. O Cinema Marginal é só o começo do desgosto e da desilusão de uma geração, que da depressão de 70 mandará um foda-se na década de 80 com pensamentos e metas individualistas.
É culpa de quem? Alguém tem culpa?
Repito que a fila anda. Eu mesma nasci nesta época em que os jovens levantavam os ombros resmungando que nada têm a ver com isso ou aquilo. Sou da época de Ferris Bueler e vou te dizer que adoro coca-cola. E mais: não sou rica e pretendo trabalhar muito em filmes comerciais, eles já nos provaram que podem ser ótimos. Mais tarde, se eu juntar uma grana quem sabe eu faço um filme autoral para meia dúzia de cineastas. Continuo assustando os caras da locadora alugando ao mesmo tempo Terra em Transe e Viagem Insólita. E acho um "must".
Bressane ficou conhecido pela sua capacidade de rodar longas metragens de baixo orçamento e em curtos espaços de tempo. "Matou a Família..." mesmo teve apenas 12 dias de filmagens! Viveu exilado em Londres por 3 anos e em 1970 foi convocado pelo regime militar para interrogatório, tendo recebido ameaça de prisão devido a um suposto vínculo ao líder esquerdista Carlos Maringuela. Realizou filmes como "Tabu"(1982), "Miramar"(1997) e "Dias de Nietszche em Turim"(2002).
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Me permitam um desabafo, mudando completamente de assunto.
Depois que o cinema se tornou sonoro, as pessoas que não conseguem SENTIR o som, já que não podem enxergar esse troço incômodo e invisível, o ligam aos diálogos e chamam de RUÍDO o que não é fala. RUÍDO para mim é uma coisa indesejável, uma interferência na pista de som que precisa ser retirada. Passos, passarinhos cantando, chuva caindo é SOM!!!!!!!!!!!!!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 5:55 PM
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Quarta-feira, Outubro 29, 2003
ASSÉDIO
(Bernardo Bertolucci, 1998)
Um dia amei sozinha, calada, espectadora. Já vi uma boca balbuciar palavras sem ouvir coisa alguma, brincando de decorar todos os traços de um rosto, tornando o mesmo um mapa, concreto em minha mente e mais durável que qualquer filme ou fotografia.
Um dia observei um corpo adormecido e decorei a quantidade de pintas, pêlos, marcas. Outro mapa.
Um dia fui amada e senti estar falando para os ares. E me olhavam a boca e me decoravam os traços. Um dia acordei sendo observada não sei por quanto tempo e me senti um mapa.
Num belo dia abri a boca e rasguei o mapa. Num dia cinza rasgaram o meu mapa. Num dia qualquer me abriram a boca sem que eu pudesse tapar os ouvidos.
Quantas vezes amei e fui amada, em diferentes épocas, recíprocas ou não, ciente ou não dos acontecimentos eu não saberia dizer. Sei dizer que não sei o que é mais difícil, se é decorar um mapa ou ser o mapa de alguém. Por isso rasguei o mapa. É melhor viver sem ele.
Interessante a relação dos personagens de Assédio. O pianista observa sua empregada durante dias, meses e sabe-se lá quanto tempo durou aquele amor platônico. Ela, perspicaz, sabia- se observada e, num gesto tão comum entre nós mulheres, ora gostava, ora sentia-se profundamente irritada e constrangida.
Eu explico. A paixão é cara-de-pau ao ponto de não ter limites. Quem, apaixonado, se importa com moral, bons costumes, ética, regras de conduta? Ficamos enfeitiçados ao ponto de não conseguir mentir e dissimular. Perdemos o controle sobre nós mesmos.
É o que aconteceu com o pianista. Num impulso incontrolável ele a agarra pelo braço e diz que a ama, que faz qualquer coisa por ela, se muda para a África (seu continente de origem, eles estão em Roma). Neste momento ela explode de raiva. Como esse cara pode dizer que me ama se ele nada sabe de mim? Mas a paixão não pressupõe pré-requisitos, não lê currículos, não se prepara para uma entrevista. Para dar um chega pra lá, rasgar o mapa e puxar o alçapão para o apaixonado joselito a empregada e estudante de enfermagem grita que se ele faz tudo, ele que tire o seu marido da cadeia.
Desde o início do filme já sabemos que o seu marido é um preso político. Aliás são mostradas imagens que eu poderia chamar de documentais, com câmera na mão, denunciando um país africano dominado por uma ditadura, com crianças mutiladas. A parte documental se alia à ficção junto a um nativo local que narra toda a história de sofrimento através de sua música. Não entendemos bulhufas do que ele canta, mas sabemos que ele expressa a dor. Ele é também atemporal e está em todos os momentos e lugares do filme, até em Roma. Ele é uma metáfora do sofrimento.
Voltando para o pianista joselito, ele muda radicalmente e cessa as investidas em sua amada. Ela continua observando o homem e percebe que todos os objetos de antiguidade de sua casa estão sendo vendidos. Mas só se dá conta do que está acontecendo quando vê uma carta destinada a ele, com um selo da África.
Sim, o homem apaixonado fez exatamente o que ela pediu. Vendeu tudo o que tinha, até o seu piano. Vendeu a si mesmo. Vendeu a alma. Ainda assim, depois do marido solto e a caminho, ele vive uma noite de amor com ela que ninguém sabe onde vai chegar. Só sabemos que o marido tocou a campainha e ela não atendeu, ainda nua na cama com o pianista. Será que ela se apaixonou ao ver que um homem era capaz de dar a vida por ela? Será que foi gratidão? Ela já estava apaixonada? Ela levantaria da cama mais tarde e procuraria o seu marido? Vendo o marido solto e com a consciência tranqüila ela estaria livre para admitir a si mesma que se apaixonou pelo patrão?
Perguntas deste tipo quase nunca possuem respostas. A resposta da paixão nunca é imediata. Talvez a paixão não possua respostas. Somente mapas a espera de serem rasgados.
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Obrigada pela paciência de vocês. Estive um tanto quanto perdida nestas últimas semanas, mas estou de volta a todo vapor. Estou preparando um blog de crônicas, que vai se chamar Fulerus Crônicas e será atualizado toda semana. Estou também criando um blog para o Zé da Velha e o Silvério Pontes. Estarei divulgando o trabalho deles e conto com vocês nos shows e eventos. O Fotolog está funcionando também, não deixem de visitar.
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A minha última pesquisa mostrou que a maioria dos meus leitores lêem os créditos até o final. Ok, já que vocês estão dizendo eu acredito. Agora vocês já podem votar na nova pesquisa da Fulerus Filmes, lembrando sempre que estou precisando de confetes, mas espero total sinceridade.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 9:22 PM
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Sábado, Outubro 25, 2003
Gostaria de pedir desculpas e um pouco de paciência aos meus leitores. Sei que ando relaxada com isso aqui, mas acontece que tirei umas férias até segunda-feira dia 27. Até lá não adianta vir com trabalhos, cobranças, horários, beicinhos, nada. Tatica está fora de cobertura tu-tu-tu. Prometo recompensar vocês por todos estes dias de ócio, eles estão me entupindo de idéias.
Bjus!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 2:18 PM
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Terça-feira, Outubro 14, 2003
Gente, estou concorrendo ao Prêmio Ibest 2004 em 3 categorias: Ibest Blog, Cinema e RJ. Clicando abaixo vocês estarão me dando votos para o Ibest Blog:
É rapidinho o cadastro, vale a pena cooperar... depois de ter votado aí em cima e com o cadastro feito tudo será mais rápido!!! Aproveitem então para votar em Cinema e RJ.
Valeu galera. Beijos!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 7:43 PM
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Sábado, Outubro 11, 2003
LUNA CALIENTE E AS MODERNAS MULHERES APAIXONADAS
SIM, EU ASSISTO A REDE GLOBO!
Que os meus leitores cult e intelectuais me perdoem. Se estão esperando um texto de um filme da Palestina ou do Afeganistão exibido neste último festival, podem parar de ler aqui mesmo. Hoje vou falar sobre novelas e minisséries globais e sem o meu usual tom cítrico sobre as mesmas.
Manoel Carlos escreve bem. Ele tem lá os seus problemas morais, a sua preocupação e flexibilidade demasiada com o público e sua visão lírica ao extremo do Leblon, mas ele escreve muito bem e não há autor de novela deste país que o supere. Não vou ficar repetindo o falso discurso da globo, de que a "realidade" está presente nas novelas, até porque a realidade do Maneco é a realidade dos ricos e não a minha. Vê se eu com 18 anos me sinto "livre" e saio de casa para me sustentar? Ora vejam só se eu caso ainda no terceiro ano colegial? O desemprego nas novelas dele parece não existir e os pobres são felizes, bonzinhos e submissos.
Mas esta divergência de olhares e realidades não importa pra mim. Eu tenho que admitir que as novelas dele vêm melhorando, tanto no aspecto da produção e da direção quanto no que se refere aos textos mesmo. Se você for lá atrás assistir a Por Amor, vai ver como ele era maniqueísta, como a Helena era uma anta (ou santa?) que engolia tudo, como o bandido era bandido e só. Nesta última novela a Helena veio como anti-heroína e os outros personagens vieram redondos e complexos. O maior bandido poderia amar alguém ou alguma coisa. A mulher que era amante do namorado de uma mocinha, também é mocinha. A mocinha também tem os seus momentos de bandida e por aí vai.
Sem falar das lésbicas. Fica difícil dizer de quem é o mérito, se é do Maneco ou das famosas que agora volta e meia se beijam. Virou moda. Acho que o mérito é de ambos. No início da novela foi o maior bafafá, mas logo no final, ele enrolou tanto para mostrar o tal beijo que o povo já estava aos gritos "ah, que palhaçada, beija logo, um selinho não é nada!" Sim, meu povo. Um selinho hoje em dia virou NADA. E eu comparo o selinho ao biquíni de revista masculina, aquele que só tampa o bico do peito ou os orifícios, porque todo o resto está a mostra. Então a nudez é o bico? Então o beijo é a língua?
Ainda falando de lesbianismo, ele não se manifestou somente nas ninfetas da escola. Neste último capítulo ficou bem escrachado o que eu já suspeitava há muito tempo: o tesão e o desejo de um ménage a trois da amante do taxista com sua empregada e o voyerismo da tia do padre. Ah, e vocês achavam que só propaganda de cerveja tinham seus apelos sexuais?
Hoje em dia ocorre um lance engraçado... as novelas das 8 (E SOMENTE AS DAS 8!) estão cada vez mais rompendo as fronteiras da televisão com o cinema e o cinema fazendo o percurso inverso, virando cada vez mais uma série de televisão, respeitando as exceções sempre, claro. Quem se lembra da novela que não era a continuação de Terra Nostra? (A minha prova de que novelas são inúteis é justamente o fato de eu nunca me lembrar quel foi a última que passou antes da atual e o seu nome...) A direção do
Luiz Fernando Carvalho, o responsável pelo belíssimo "Lavoura Arcaica" , era cheia de câmeras na mão e edição de cinema. Até mesmo em "Mulheres Apaixonadas" percebi uma diferença na edição, pena que ela só é usada nos momentos de aflição e crise. A câmera baixa do momento em que Heloísa está sendo dopada é ótima,sem falar das inúmeras câmeras na mão de quando Raquel era perseguida pelo Tom Hanks. Este último, em seus ápices de loucura também foi bem aproveitado na ilha de edição... alguém lembra da cena do espelho quebrado, em que ele se balançava como um pêndulo e sua imagem duplicava? E nos detalhes de suas mãos e expressões ao som de ópera no carro a mil por hora? Nem o fato dele apontar uma arma com uma mão, falar no celular com a outra e dirigir (!!!) torna a inverossimilhança coisa de novela, os filmes blockbusters estão cheios delas!!!
Acho ótimo mesmo essa pincelada de cinema em novelas, só me entristece os filmes-novela e os filmes-teatro. Acho uma total heresia um diretor não aproveitar as riquezas do olhar cinematográfico.
LUNA CALIENTE (Jorge Furtado, 1999) foi uma minissérie filmada em 35mm numa época em que a Globo preferiu investir na segurança de seu público de cinema com o Didi Mocó. Uma pena, porque esta minissérie ao melhor estilo noir brasileiro e com excelente roteiro de Jorge Furtado deveria por obrigação ser exibida em tela grande. Mas na época ninguém saía de casa para ver cinema nacional, este fenômeno só se deu mesmo com Cidade de Deus, isso é indiscutível.
O roteiro bem amarrado, cheio de reviravoltas, suspense, terror e flash-forwards é excelente. Para os leigos, flash-forward é o contrário de flash-back, é você imaginar o futuro próximo ao invés de relembrar o passado. A fotografia de José Tadeu Ribeiro também impressiona. O que não convence muito é atuação da atriz de malhação e novelas do SBT interpretando uma Lolita com poderes de Jason. Mas mesmo assim vale a pena conferir a obra de Jorge Furtado, que sem dúvida é um excelente diretor e roteirista do cinema nacional.
Não vou falar muito do filme justamente por culpa de suas reviravoltas e final surpreendente. Não quero tirar o gostinho de vocês. Eu assisti ontem sem ter a mínima idéia do que me viria pela frente e foi ótimo assim.
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Continuem visitando o Fotolog! Estou colocando fotos todos os dias, religiosamente.
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 12:32 PM
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Quarta-feira, Outubro 08, 2003
NÃO VOU ESCREVER SOBRE CINEMA
TÔ NEM AÍÍÍÍÍÍÍÍ... TÔ NEM AÍÍÍÍÍÍÍÍ... PODEM VIR COM SEUS PROBLEMAS QUE EU NÃO VOU OUVIIIIIIIIR!!!
Que os meus leitores (sim, depois de 6 meses eu posso dizer que tenho isso!) cinéfilos me desculpem, mas hoje não vou falar de cinema. Não vou falar deste maldito festival do Rio que começou no final do mês e que eu perdi por estar sem grana. E nem vou falar dos últimos filmes que assisti: "Xuxa Requebra" e "O Professor Aloprado" (este último é Ó-T-I-M-O!), na "grobo" mesmo. A Tatica aqui está numa nova fase, falando na terceira pessoa, toda blasé e nem aíííííííí, nem aííííííí... Não, eu não desisti de ser cineasta, nem de assistir a bons filmes e muito menos de escrever aqui sobre eles... o problema é que, além da semana de prova e da gripe que não queria ir embora por causa do cigarro, que a fulera aqui não abre mão, eu comecei a malhar. E daí? (vocês podem estar se perguntando agora...) E daí que todo o dinheiro que eu torrava em locadoras e cinemas desta cidade estão sendo investidos no meu corpinho... fútil? Continuo nem aííííííí!!!! Raciocinem comigo. Se eu continuasse engordando como teria disposição para bater de porta em porta em produtoras para arrumar emprego? Como teria postura para segurar uma vara de boom num set de filmagem? (cismaram agora que eu faço som, não fui eu quem disse nada hein?) E, na boa, eu não quero ser mais uma montadora gorda, que passa o dia todo curvada sobre um computador sem tempo para comer bem, se entupindo de besteiras, cafezinho e cigarros... pode soar cult este estereótipo, mas não quero ser cult no sábado à noite, eu quero mais é entrar nas minhas calças! E vão todos à merda, porque eu confio no meu taco e garanto que o meu cérebro pode relaxar por alguns meses... A frase é antiiiiiga, mas verdadeira: mente sã, corpo são (ou seria o contrário?)
Mas o motivo maior para eu não falar de nenhum filme hoje se chama Belmonte. Quem leu o meu ego-post do dia 22 de setembro sabe do que se trata. Tenho uma prima lá que é professora e secretária de educação, dentre outras coisas como cachaceira e tocadora de timbau nas melhores farras da família. Ela criou um projeto maravilhoso chamado "A Escola Resgatando a Memória de Belmonte" e lançou um livro com poesias de seus alunos intitulado "Meninos de Belmonte Resgatam a Terra de Sosígenes". Sosígenes era (aliás é, porque poetas nunca morrem) um poeta e educador da cidade que completou 100 anos. Um cidadão belmontense que se tornou cidadão do Brasil e que sentia prazer em difundir seus conhecimentos na melhor interpretação possível do famoso provérbio árabe que diz "nenhum homem verdadeiramente sábio guarda apenas para si o seu sentimento".
Vou transcrever aqui o poema da Vanessa Protássio de Souza, belmontense de apenas 8 anos de idade:
O MAR MORENO DE BELMONTE
Foto da minha vhs fulera
"Sosígenes nasceu no dia 14 de novembro
Mas quando ele morreu
Belmonte escureceu
Sosígenes seu filho amou
Seus poemas alegres deixou
Todos elogiam sua beleza
Belmonte é só natureza
Esse poeta de quem falo
É o grande Sosígenes Costa
Esse é meu conterrâneo
Que com apenas 16 anos
Aos da terra veio ensinar
Passei pela água e não me molhei
Passei pelo fogo e não me queimei
Passei por Belmonte e me apaixonei."
Belmonte é uma cidade no sul da Bahia, há meia hora de Porto Seguro. Possui área de 2000km2 e uma população de apenas 19000 habitantes (acho que é até menos, este valor deve conter os distritos próximos...). Está situada à margem do Rio Jequitinhonha e floresceu no século XIX com o cultivo de cacau. É conhecida como a capital do guaiamum (aquele parecido com carangueijo e mais gostoso até...) e é a terra de minha mãe, onde conheceu meu pai, onde vivem meus avós, grande parte da Família Vieira e seus "agregados". E é com um orgulho retado um orgulho da porra, que menciono aqui neste blog o projeto da minha prima (Karla Andrade), que está fazendo a diferença na educação desta cidade. Já pararam para pensar no fiasco que é a educação nos interiores do nosso país? Tenho uma tia de Salvador (Tia Dé) que dá aula para professores de química em todo o interior da Bahia e a triste conclusão dela é de que 90% dos professores são praticamente analfabetos. Deus que me defenda, como exclamariam agora os baianos. Reflitam caros leitores, reflitam...
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Criei um Fotolog. Para quem andou reclamando que as fotos do ego-post não mostraram o meu rosto direito, é só clicar lá que eu literalmente dei as caras.
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Para ver mais fotos de Belmonte, entrem no álbum.
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Agora Fulerus Filmes é internacional e tem até versão em inglês. A versão não poderia ser menos fulera do que o site não é mesmo? O Zé da Velha virou Zé Old Bridges... Quem Guênta? Quem tiver um amigo gringo por favor faça o teste e avise se o pobre conseguir entender alguma coisa!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 10:12 PM
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Segunda-feira, Setembro 29, 2003
CRÉDITOS
SOPA DE LETRINHAS?
Parece que ninguém respeita os créditos. Aquelas letrinhas pequenas sobem sozinhas numa grande tela preta e as luzes já estão se acendendo, as pessoas se levantando da poltrona, atendendo celulares, comentando sobre o filme. Como se elas não existissem. Como se não tivessem a menor importância.
Não sabem os mal educados ou desavisados que estas humildes e vulneráveis letras carregam em si toda a importância de um filme. Por que um filme não é feito somente do diretor ou do produtor que dará entrevistas coletivas. Um filme é feito de maquinistas, iluminadores, técnicos de som, estagiários, motoristas, fotógrafos, costureiras, figurinistas, maquiadores, cozinheiros, boys de set, platôs, faxineiras, assistentes e mais assistentes, editores de imagem e de som, sem falar das pessoas citadas em agradecimentos, pessoas que viraram noites e dias cooperando para que o projeto desse certo, pessoas essenciais para a realização do filme.
Não nego que os créditos sejam muitas vezes burocráticos, hipócritas, fedorentos. Sei que muitas vezes eles omitem o nome de muitas pessoas importantes e favorecem o nome de outras que não o merecem. Mas aquelas letras pequenas sozinhas caladas submissas fazem parte do filme, senão qual a causa delas estarem ali, subindo toda a vida?
Bom mesmo eram os filmes de antigamente, nos quais os créditos vinham logo no início. Uma obrigação ler aquelas letras, mesmo que na displicência e ansiedade para que o filme comece logo. Hoje usamos de vários artifícios para prender os apressados na poltrona: em Domésticas e Cidade de Deus o Meirelles coloca depoimentos e imagens no meio dos créditos. Quem não ficou até o final de O Filho da Noiva não descobriu quem diabos era Dick Watson e as fãs que correram para casa em Full Frontal não viram uma brincadeira do Brad Pitt com o câmera.
Mas parece que nada disso adianta muito. As letras continuam pequenas, sozinhas, abandonadas, sem colo de mãe, sem choro nem vela, sem piedade, ficam lá carentes e caladas na mais profunda solidão. Volta e meia aparece um estudante de cinema, uma mãe de cineasta, um cinéfilo literalmente cinéfilo no maior significado da palavra e as fazem companhia, mesmo que de pé, com a luz acesa e desviando-se das enormes e móveis cabeças apressadas. Mas isso ocorre caju em caju e as letras ainda amargam a sua solidão.
ZÉ DA VELHA E SILVÉRIO PONTES (FOTO DE RICARDO AMARAL)
O show foi ótimo e a exibição um sucesso. As pessoas não levantaram no meio dos créditos porque o filme foi exibido no início e logo emendado no show, mas o cara que projetou o filme, desligou o dvd logo que subiu a primeira palavra dos créditos. Não foi maldade, somente ignorância, desconhecimento da importância das enxotadas maltratadas abandonadas letras. Ainda bem que o filme possui créditos iniciais, mas muita gente importante e que contribuiu para o documentário não viu o seu nome lá e isso me aborreceu. Mas fora isso (TUDO) eu recebi muitos elogios, algumas massagens no ego e propostas de trabalho. Depois do show fomos ao botequim do Pernambuco tomar todas para variar um pouquinho... =) Agora que o cd foi lançado eu vou começar a mandar o filme para diversos festivais em todo o Brasil e aviso a vocês com antecedência. Preciso de todos vocês me prestigiando, estou carente e aceitando não somente propostas de trabalho, mas de namoro e casamento. (...)
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Sobre a pesquisa "Por que você acha que a adaptação de O Alquimista no cinema vai ser uma merda?", das 134 pessoas que votaram, 66 concordaram comigo que Paulo Coelho é uma merda e surpreendentes 11 pessoas disseram amar o escritor. Ainda bem que gosto é que nem cú (Sim, o meu sempre teve e sempre terá acento, acho a falta de acento no cú uma injustiça gramatical). Agora a minha pesquisa é sobre a importância dos créditos, colaborem, mesmo os amantes de Paulo Coelho, que continuam sendo bem vindos. Cambada de fulero!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 7:54 PM
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Sábado, Setembro 27, 2003
É HOJE! ZÉ DA VELHA E SILVÉRIO PONTES NO TEATRO MUNICIPAL DE NITERÓI ÀS 21:00. COMO DISSE ANTERIORMENTE O MEU FILME "13 MÚSICOS E UMA CÂMERA" SERÁ EXIBIDO ANTES DO SHOW. QUEM AINDA NÃO COMPROU INGRESSOS (R$ 10,00) CORRA ANTES QUE ACABE!
SOBRE O BLOG OF NOTES
Fiquei feliz e lisonjeada com a indicação, mas confesso que estou já entediada. Estou recebendo umas 500 visitas por dia, mas a maioria das pessoas entram, fazem propaganda e elogios superficiais. Claro, acredito que muita gente leu mesmo o blog e vai voltar. E são bem vindos! Estou com saudades do meu público assíduo, que lê tudo o que escrevo e realmente comenta sobre os posts... Mas isso faz parte e eu admito que até conseguir conquistar o meu público eu fiz muitas propagandas em BONs... Estou ansiosa para ver quem vão ser os novos leitores fuleros, para aí sim, eu responder os comentários, ok?
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Nunca fui muito ao teatro. Ou pelo preço exorbitante, ou por não resistir e optar por entrar num cinema na última hora. Mas eu gosto muito do pouco que conheço. Sei que existem peças boas e acessíveis, mas acabo não indo mesmo. Aliás esse negócio de peça/cinema acessível é balela né? Por que acaba que só quem trabalha ou estuda no meio fica sabendo dessas oportunidades. O povão de Niterói não sabe que o cinema da UFF na segunda-feira custa R$ 2,00, eles levam a família inteira para pagar R$12,00 nas salas mais conhecidas.
Só sei que quando descobri na faculdade que iria ter aula de "Direção de Atores", pensei "que saco, vou trancar, não quero perder tempo fazendo aulinha de teatro, tenho vergonha, blábláblá". Logo de cara fui surpreendida por um "exercício de exposição", que nada mais era que você ter que ficar 30 segundos parado em pé olhando para a cara da turma inteira, que também era obrigada a ficar em silêncio olhando para você. Foram os 30 segundos mais longos da minha vida e minha reação instintiva foi contar o tempo com os meus dedos. Ufa, deu certo. Mais tarde ouvi da Suzana que "o objetivo protege o ator", e como!
Mas vou dizer que gostei. O tal "exercício de exposição" despertou em mim um respeito fora de série pelas pessoas da turma, a mesma que eu saí no pau várias vezes pela minha intolerância e mania de verdade nos primeiros períodos. Sim, porque você fica tão sem graça, que quando olha a pessoa ali parada se expondo, tão frágil, vulnerável, não consegue sacanear, fazer uma piada sem graça. Você se vê no lugar da pessoa e compartilha o momento.
Enfim, ontem me deparei com um texto do Rubens Corrêa, que achei maravilhoso. Ele discorre sobre representação e faz analogias dos elementos do ator com cálice, cavalo, fogo e menino.
Resumindo, o Cálice é o interior do artista. É o que ele leva dele para os seus personagens, que é único e inimitável. "Somos feitos da essência com que os sonhos são feitos"(Shakespeare)
O Cavalo é o exterior do artista, seu corpo, sua voz, sua fala. Ao observar o mundo a sua volta, o artista deve transformar seu corpo num arquivo de imagens e formas diversas e, para isto, o cavalo deve ser reabastecido e renovado. Ele torna o ator indestrutível.
O Fogo é o instinto e curiosidade natural que precisa ser desenvolvido através de estudos e da observação do ser humano, das obras de arte, da sociedade. É a defesa contra a acomodação e o estímulo à criatividade.
O Menino é a alegria e o descompromisso para o trabalho artístico. Melhor, é a recuperação da liberdade da infância através da vida adulta.
E ainda: "Acho que preservando o cálice, domando o cavalo, estimulando o fogo e soltando o menino, o artista está preparado para viver e criar uma vida bela e uma obra útil para a coletividade."
Acho que este texto diz muito para atores e não atores. Para artistas e médicos. Advogados e costureiras. É um texto para todos. Até porque acredito não existir o não ator. Todos nós somos atores de nós mesmos e nem é preciso que haja uma câmera à nossa frente, nós representamos a todo o tempo, dependendo da situação. "O homem mais natural do mundo deixa de ser ele mesmo na sociedade do seu melhor amigo" (Vinícius de Moraes em "O Cinema de Meus Olhos"). Somos muitos, somos vários, somos o que nos convêm e isto é natural do ser humano.
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Lembrei de um filme sensacional que vi outro dia, "Salve o Cinema" do mestre do cinema iraniano Mohsen Makhmalbaf. Um filme-documentário com um olhar penetrante no ser humano. Mhosen colocou um cartaz dizendo que precisava de atores para o seu próximo filme. Apareceu uma multidão, todos queriam ser artistas, todos declararam o seu amor ao cinema. Mas o que eles não sabiam era que aquele era o filme, o teste era o filme.
Sensacional o teste de duas mulheres, no qual Mohsen, vendo a competição das duas, coloca a seguinte questão: "você quer ser uma boa atriz ou uma pessoa boa? Se quer ser uma pessoa boa vá embora e deixe o seu lugar para a outra." É um vai e volta, a mulher vai embora, ele manda chamar e a obriga de maneira dura a chorar e logo após dar risadas e diz que um bom ator deve saber rir e chorar a hora que o diretor quiser. A mulher fica nervosa, não consegue chorar e ele arrasa com ela. Depois manda ela voltar e se colocar no lugar dele como diretora para dirigir um outro grupo de mulheres. Ela é dura como ele ou mais e ao final ele pergunta "é difícil chorar quando eu te peço?" Ela responde que sim e ele a deixa sem resposta ao mandar "Então porque você foi tão dura com essas mulheres? Por que você não foi mais tolerante?" Mas a mulher é simplesmente incrível e rebate "Você prefere ser um bom cineasta ou uma boa pessoa?"
Vale muito à pena assistir a este filme e a todos do Mohsen né? Inclusive "O Silêncio", que é para mim um dos melhores filmes do mundo e de todos os tempos. Claro que por razões pessoais. E por um acaso existe imparcialidade? Impessoalidade? Este blog é o meu Cálice. Bebam à vontade!!!
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Publicado por TATIANA VIEIRA em 11:08 AM
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Segunda-feira, Setembro 22, 2003
EGO-POST DE ANIVERSÁRIO
A ETÍLICA BIOGRAFIA DE UMA VIRGINIANA ASPIRANTE À CINEASTA
Em março deste ano nasceu este | |